Arquivo para Fevereiro 2008

Cada uma das palavras que nunca me disseste..

Quero cada uma das palavras que nunca me disseste…
Quero os sorrisos fugazes que delineaste, sem os entregares…
Quero o mel da tua boca. O néctar dos teus lábios.
Quero um beijo prateado, cheio de estrelas e sonhos…
Quero adormecer na loucura dos teus olhos.
Quero navegar no teu corpo, e perder-me, eternamente, nesse teu infinito oceano de calor…
Quero escutar a tua voz na escuridão do silêncio.
Quero abrir as portas do teu coração, e explorar todos os tesouros que possuis…
Quero descobrir os códigos secretos da tua alma.
Quero beber do teu sangue.
Partilhar o mesmo cálice. A mesma cama. A mesma vida. O mesmo desejo ensurdecedor…
Quero gritar-te ao ouvido a palavra “amo-te”, e tatuar no teu corpo a textura da minha alma…
Quero viver num sonho aberto e colorido. Coroar-te princesa. E rainha.
E oferecer-te todas as pedras preciosas do mundo.
Quero conduzir-te até ao esplendor dos sentimentos,
E respirar da tua boca o brilho dos teus beijos…

Autor: João Costa

Tempo

Tempo,
Tempo que não pára no tempo,
Eu,
Eu que não paro no tempo,
Tempo e eu,
Tempo e eu que não paramos no tempo,
Eu e o tempo,
Eu e o tempo que não paramos no tempo.

Tempo,
Tempo é assim,
Não para,
Só por meros segundos o tempo parece parar,
Segundos,
Segundos esses quando estou contigo,
Contigo,
Contigo o tempo pára.

Assim,
Assim devíamos estar sempre,
Juntos,
Juntos já que assim o tempo pára,
Para nós,
Pára nós o tempo pára.

Será,
Será que assim viveríamos eternamente,
Talvez,
Talvez juntos o tempo pare no tempo.

Autor: Luís Barros

O amor …

É o império de todos os nossos sentidos
Que encerra mistérios desconhecidos….
O mundo gira em seu redor
Atraído pelo seu esplendor!!!
Até Freud e Platão
Buscaram uma razão,
Mas… o amor nem sequer tem peso ou medida!!!
É a força que comanda a própria vida!…
Em suma, o amor
É algo, ainda, maior!!!…

Autor: Maria Mar.

O que é o amor?…

Não há poema nem arte,
Não há mar ou estandarte,
Nem mesmo a força do vento
Que descreva o sentimento
Que o amor prolifera!!!
É o ar da primavera?…
É magia pura
Enquanto dura?…
É o estado de graça
Que nos toma e abraça?…
É o fogo que flameja
Sempre que se deseja?…
É cair na emboscada dum sorriso,
E… viver, em pecado, no paraíso?
É levantar voo nas asas do cúpido,
E… cantar vitória após estar rendido?

Autor: Misterio

Bela doce adormecida

Bela doce adormecida
Oh!, palavra bela para te sonhar
Oh!, palavra doce para te beijar
Oh!, palavra adormecida para te acordar
Oh!, bela doce adormecida
Não tenho palavras,
Para sonhar de te beijar e acordar
E, nesse meu conto de fadas
Imaginar,
O quanto seria
Para sempre te amar…

Autor: António Blézio

Somos dois inseparáveis

Numa paixão desmedida
Começámos mão na mão
E seguimos pela vida
Coração com coração.

Nunca pode ser esquecido
O tempo que já passou
Desde o dia em que o Cupido
Uma seta nos atirou.

Recordo tempos passados,
Com saudades de voltar
Àqueles beijos roubados
Que tu não me querias dar.

Fui ladrão, não vou negar,
No caminho dos teus passos
E foste tu a vir parar
À cadeia dos meus braços.

Carinhoso, eu procurei
Ser um óptimo carcereiro,
De tal forma que nem sei
Qual de nós é o prisioneiro.

Entre abraços e beijinhos
Sempre fomos tão amáveis
Como ternos passarinhos,
Um casal de inseparáveis.

Tons de azul…

Amar-te em tons de azul
Ouvir-te em cada silêncio
Fechar os olhos e sorrir…
A sorrir eu imagino
Danças de neblina
Fogos de sedução
Pulsações doces de ninfa adormecida…
Pulsações que me fazem enlouquecer e afogar-me em lagos de dor.
Enlouquecer em madrugadas de vazio.
Não sei onde moras
Nem onde dominas.
Sei que te amo
Em cada silêncio
Em cada sorriso
Em cada pedaço de escuridão…

Autor: Bruno dos Santos

Se do claustro fechado das minhas mãos vazias

(100) Se do claustro fechado das minhas mãos vazias
Se do claustro fechado das minhas mão vazias…
Se do claustro fechado das minhas mão vazias
brotassem árvores refloridas de espanto;
Se, dos rios de pedras sem margens,
nautas caravelas encetassem rotas de viagens
e a saliva escorresse lívida, leitosa, amamentando
a Noite que chora… na boca da tua Rosa…
E dos teus lábios gelados se soltassem
Begónias singelas, em forma de palavras …

Se as Andorinhas voltassem ao pousio
do barro dos ninhos na hora ruborescida
do final de todas as tardes. E se as traças
não devorassem os bordados dos lençóis nupciais
e os brocados de castas toalhas, nos enxovais
dos sentidos virgens por casar …

E no olival as árvores erguidas não fossem mais
que somente vultos sinistros, retorcidos, confusos,
desenhados em registos de sombras a carvão,
no pálido fundo de cal - nos muros intransponíveis
do teu escuro quintal. Os seus frutos ovalados -
grossos bagos - , se projectassem em turbinas de luz,
alúmen da candeia, efervescente luminescência,
nas pupilas rasgadas do teu olhar fundo de Mar …

Te digo, meu Amor … dispensaria neste Mundo
o brilho de todas as Constelações de Estrelas.
Tu serias o meu Sol eternamente a brilhar!

Autor: Mel de Carvalho

Primeiro poema do bambú melodioso

A chuva cai pela manhã
Grossas e majestosas gotas flúem
Como pensamentos ansiosos de jovens amantes
Rendilhados de pacientes anciãos ascetas

A sabedoria flúi na água
Como a doçura do amor flúi nos gestos dos apaixonados
O perfume inebriante da languidez melancólica
Acompanha as estações
Exibindo-se como um preguiçoso pavão pavoneante
Sob o som melodioso da flauta de bambú

A chuva cai pela manhã
Produzindo desejo de um calor
Que não cessa de parar o tempo
Ritmado pelo nenúfar vagaroso
De um lago imaginário
Onde a tua imagem aparece difusa e tentadora

Há também campos floridos
E ventos divinos que os moldam a perder de vista

Autor: Carlos Paulo Pereira

Amor

Amor!!??
Ai! Outra vez não!!!
Esse malvado
Sem coração
Querubin alado!
Tem sido a minha perdição
Dispara por todo o lado
Sem a mínima comiseração
Desta vez? não, não quero!!
Faço tudo para ele errar o alvo
Mande a febre, os tremores
Suores frios
O raio do desvarios
Escolha outros amores
Pois não me deixa em sossego
Não há aspirina que me valha
Da última vez que tal aconteceu
O malandro acertou
Perdi o ar perdi o pio
Quase que me matou
Já não comia
Só o amor via
Deixou-me obcecado
Parecia o rei pasmado.
Mas não!!! Atire o raio da seta noutra direcção,
Trespasse outro coração
Talvez a vizinha ali do lado,
Ela é que precisa de arranjar namorado
Eu não!! Muito obrigado.