A chuva cai pela manhã
Grossas e majestosas gotas flúem
Como pensamentos ansiosos de jovens amantes
Rendilhados de pacientes anciãos ascetas
A sabedoria flúi na água
Como a doçura do amor flúi nos gestos dos apaixonados
O perfume inebriante da languidez melancólica
Acompanha as estações
Exibindo-se como um preguiçoso pavão pavoneante
Sob o som melodioso da flauta de bambú
A chuva cai pela manhã
Produzindo desejo de um calor
Que não cessa de parar o tempo
Ritmado pelo nenúfar vagaroso
De um lago imaginário
Onde a tua imagem aparece difusa e tentadora
Há também campos floridos
E ventos divinos que os moldam a perder de vista
Autor: Carlos Paulo Pereira
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