(100) Se do claustro fechado das minhas mãos vazias
Se do claustro fechado das minhas mão vazias…
Se do claustro fechado das minhas mão vazias
brotassem árvores refloridas de espanto;
Se, dos rios de pedras sem margens,
nautas caravelas encetassem rotas de viagens
e a saliva escorresse lívida, leitosa, amamentando
a Noite que chora… na boca da tua Rosa…
E dos teus lábios gelados se soltassem
Begónias singelas, em forma de palavras …
Se as Andorinhas voltassem ao pousio
do barro dos ninhos na hora ruborescida
do final de todas as tardes. E se as traças
não devorassem os bordados dos lençóis nupciais
e os brocados de castas toalhas, nos enxovais
dos sentidos virgens por casar …
E no olival as árvores erguidas não fossem mais
que somente vultos sinistros, retorcidos, confusos,
desenhados em registos de sombras a carvão,
no pálido fundo de cal - nos muros intransponíveis
do teu escuro quintal. Os seus frutos ovalados -
grossos bagos - , se projectassem em turbinas de luz,
alúmen da candeia, efervescente luminescência,
nas pupilas rasgadas do teu olhar fundo de Mar …
Te digo, meu Amor … dispensaria neste Mundo
o brilho de todas as Constelações de Estrelas.
Tu serias o meu Sol eternamente a brilhar!
Autor: Mel de Carvalho
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