Publicado em on 26 de Março de 2008
in Poemas.
Quatro letras nos matam quatro facas
que no corpo me gravam o teu nome.
Quatro facas amor com que me matas
sem que eu mate esta sede e esta fome.
Este amor é de guerra. (De arma branca).
Amando ataco amando contra-atacas
este amor é de sangue que não estanca.
Quatro letras nos matam quatro facas.
Armado estou de amor. E desarmado.
Morro assaltando morro se me assaltas.
E em cada assalto sou assassinado.
Quatro letras amor com que me matas.
E as facas ferem mais quando me faltas.
Quatro letras nos matam quatro facas.
Autor: Manuel Alegre
Publicado em on 26 de Março de 2008
in Poemas.
Nada a fazer amor, eu sou do bando
Impermanente das aves friorentas;
E nos galhos dos anos desbotando
Já as folhas me ofuscam macilentas;
E vou com as andorinhas. Até quando?
A vida breve não perguntes: cruentas
Rugas me humilham. Não mais em estilo brando
Ave estroina serei em mãos sedentas.
Pensa-me eterna que o eterno gera
Quem na amada o conjura. Além, mais alto,
Em ileso beiral, aí espera:
Andorinha indemne ao sobressalto
Do tempo, núncia de perene primavera.
Confia. Eu sou romântica. Não falto.
Autor: Natália Correia
Publicado em on 25 de Março de 2008
in Poemas.
Ninguém por certo adivinha
como essa Desconhecida,
entre estes braços prendida,
jurava ser toda minha.
Minha sempre! — E em voz baixinha:
— «Tua ainda além da vida!…»
Hoje fita-me, esquecida
do grande amor que me tinha.
Juramos ser imortal
esse amor estranho e louco…
E o grande amor, afinal,
(Com que desprezo me lembro!)
foi morrendo pouco a pouco,
— como uma tarde em Setembro…
Autor: Manuel Laranjeira
Publicado em on 25 de Março de 2008
in Poemas.
Deus fez a noite com o teu olhar,
Deus fez as ondas com os teus cabelos;
Com a tua coragem fez castelos
Que pôs, como defesa, à beira-mar.
Com um sorriso teu, fez o luar
(Que é sorriso de noite, ao viandante)
E eu que andava pelo mundo, errante,
Já não ando perdido em alto-mar!
Do céu de Portugal fez a tua alma!
E ao ver-te sempre assim, tão pura e calma,
Da minha Noite, eu fiz a Claridade!
Ó meu anjo de luz e de esperança,
Será em ti afinal que descansa
O triste fim da minha mocidade!
Autor: António Nobre
Publicado em on 24 de Março de 2008
in Poemas.
Será que na vida não vive
Quem na vida já viveu?
Ou será que terá vida
Quem nesta vida sofri.
E eu que morri e que vivo
Dentro do mundo que passou:
Nos versos que não morrerão
Após rasgar a vida
Irão lembrar quem chorou
E esta vida não viveu.
Autor: Rogério Martins Simões
Publicado em on 24 de Março de 2008
in Poemas.
Gostaria de puder voar e tudo alcançar
Cruzar o céu, desertos de terra e mar
Para que apenas com um doce gesto
Em meus braços te pudesse albergar
Fosse o horizonte o meu alento,
E a sua linha apenas fruto da ilusão
Tão inexistente seria o meu tormento
Se nesse abraço estivesse o teu coração
E esta ânsia que me percorre
Na tua longa distância de devastação
Nessa linha em que o tempo corre
Nada passa para além da solidão.
Será este desejo apenas fantasia,
Ou ter-te-ei eu novamente um dia?
Autor: Arine Malheiro
Publicado em on 23 de Março de 2008
in Poemas.
Nos limites da pele
um carinho
Atalho até sua boca outro beijo
sabe-se da vontade
um corte
Anda-se nos astros por destino
o que é recusado
um desejo
Então falar com a leveza da luz
com a leveza da alma
o amor
Publicado em on 23 de Março de 2008
in Poemas.
Cheguei ao quadro e peguei no giz
Do nosso amor fiz uma equação.
Andei depois às voltas com o X,
Do teu desconhecido coração.
Desejei somente conhecer
O valor da icógnita querida,
P’ra que então pudesse resolver
O problema maior da minha vida.
Da formula geral do nosso afecto,
Comecei a fazer as deduções…
E - podes crer - meu fito predilecto,
Era igualar as nossas afeições.
Queria reduzir à unidade
As nossas almas, porque os meus intentos,
Eram apenas por em igualdade
As expressões dos nossos sentimentos.
Mas, ao chegar às deduções finais,
Eu pude ver então, nesse comenos
Que o meu afecto tinha o sinal +
E o teu, formosa ingrata, o sinal -.
Autor: Júlio Dias Nogueira
Publicado em on 22 de Março de 2008
in Poemas.
Abro um pouco o A,
beijo com vontade o M,
contorno bem o O,
e faço cócegas ao R…
assim mostro o que sinto!
Se te soletrar, direi:
A de amor,
M de muito amor,
O de obviamente amor
R de repito amor.
Se te desenhar será com:
um redondo Arco
feito à mão livre
na mais linda obra
que me sai sem rascunho.
Abro um pouco o A,
beijo com vontade o M,
contorno bem o O,
e faço cócegas ao R…
assim mostro o que sinto!
Se te soletrar, direi:
A de amor,
M de muito amor,
O de obviamente amor
R de repito amor.
Se te desenhar será com:
um redondo arco
feito à mão livre
na mais linda Obra
que me sai sem rascunho.
E pronto…
sais sempre tu,
sai sempre amor!
E pronto…
sais sempre tu,
sai sempre amor!
Publicado em on 22 de Março de 2008
in Poemas.
O que sinto quando corro para o meu cão ou acaricio o meu gato?
O que sinto quando salvo um pardal encurralado?
Quando dou pão a quem está esfomeado?
Ou abraço o nosso pai já velho pacato?
O que sinto quando rego aquela flor e vislumbro a sua cor?
O que sinto quando cheiro as ondas deste mar?
Quando as lágrimas salgadas ferem de dor
Os olhos que vêm partir, o que nunca mais vou poder contemplar?