Por infinitas vezes tive essa sensação
Mas após um tempo…a perdi
Desconhecia o que realmente fazia-a manifestar-se dentro de mim.
Num intuito de liberdade, satisfação,
Ficava feliz sem a presença de qualquer semelhante.
Mas qual a causa dessa maravilhosa sensação que saciava-me?
Procurei companhia amorosa,
Outras vezes, amigável,
Procurei abrigo em palavras desconhecidas.
Tudo consegui mas nada realmente encontrei.
Fui em busca da revolta
Mas me impediram
Então, regredi ao passado
E enfim encontrei o afago necessitado
Tudo pelo qual havia pestanejado
Agora em minhas mãos,
Transmitindo inspiração
Um amontoado de folhas
Repletas de palavras,
Formando frases e uma só história
Um livro que exprime vida, me amparando e realizando.
Sem a ajuda direta, de todos,
Acabei alegre
Com um livro, música e a vida passando
Distante de mim,
E pude sorrir tendo a certeza que cheguei à paz.
A tudo aquilo que ampara minha alma, dando satisfação e prazer,
Sem ferir a Deus ou ao próximo.
Ainda tenho o desejo da revolta,
Mas acalmado pela força que reside em mim agora.
Aos poucos tudo será realizado
Arquivo para Abril 2008
A mim a solidão representa a liberdade
Liberdade que não encontro diante a multidão,
Aos risos, gritos e gestos,
As formas humanas em movimento.
Encontro-a somente em meio a calada da noite,
Quando todos os corpos se deitam
E o silêncio reina em meio aos sonhos.
Estranha liberdade,
Que me faz viver
Sou livre porque não há quem me prender
Todos estão envolvidos pelas nuvens do sono.
Enquanto eu,
Eu!
Me encontro de olhos abertos,
Rindo, escrevendo, pensando, vivendo.
Não existem julgamentos, condenações,
Só há meu rosto sorrindo,
Apenas um corpo solitário de alma alegre,
Realizada, pois está livre.
São apenas algumas horas de liberdade,
Mas que estão ali, existem!
Talvez não seja a liberdade verdadeira a todos,
Porém, para mim é muito mais que isto.
Pois a sociedade que me segura,
Que retém minhas expressões,
Aprisionando-me dentro de minhas próprias entranhas,
Não está mais ali, desapareceu.
Por isso estou livre.
Livre para olhar as estrelas e sorrir,
Admirar a lua e desejar,
Para abrir os olhos e viver com a liberdade no coração.
E em meio aos raios da tristeza,
E ao silêncio da alegria,
Me sinto livre,
Completamente liberta.
O desespero vem
Como num piscar de olhos,
Não há nada,
Somente a escuridão,
Levemente apagada pela fraca luz da lua,
Que tende a desaparecer cada vez mais.
O breu amordecedor
Toma conta da minha alma.
Possuída estou,
Pelas sombras,
Mais fortes que eu
E em meu corpo penetram
Tornando-me vulnerável.
Não vejo mais nada
Tudo desapareceu,
A lua se foi
E já não sinto mais as picadas incessantes em meu frágil corpo
Já não sinto nada,
Pois não tenho o sentir
Nem o porque.
Grito, mas não ouço o desespero
Choro, mas não enxergo lágrimas escorrendo
Me debato, mas não sinto a dor dos punhos
Não vejo o sangue explodindo de minhas sofridas veias.
Conseguiram!
Estou vazia e vulnerável.
Tudo se foi.
Penso numa saída,
Porém não há portas
Somente enormes paredes
Que me envolvem
Como um meio de proteção,
Mas na verdade,
Me seguram,
Sugando minha alma
Deixando aqui,
Somente este corpo vazio e insensível
Caio de joelhos,
A pedir por piedade,
Clemência, pois nada fiz.
Respondem duramente que não tenho escolha
Minha sentença foi determinada
E será friamente cumprida.
De repente o silêncio se torna mortal
A solidão leva de vez minha esperança,
Sou humana, frágil, pecadora
E neste momento fria,
Pois não tenho mais alma
Não há como suportar,
Estou derrubada.
Agora vejo o sangue minando
E sinto as picadas, seguidas de lágrimas
Aos poucos vou perdendo os sentidos
E assim, em meio ao desespero e a fragilidade
A morte me envolve calada
Com sua tristeza
E me leva em seus braços
Escapando,
Acobertada pela escuridão
Para uma eternidade desconhecida
E amedrontadora.
E, em meio a dor e a solidão
Estendida miseravelmente no chão
Derrotada,
Me pergunto inocentemente,
O que a morte fará ao se livrar de mim?
Inconscientemente me pergunto:
Quem será o próximo?
Viver só, não ter amigos,
Não ter a quem amar, não ser amado.
Não ter a quem sequer odiar.
Mas se conseguir se entender, se auto compreender,
Não estará mais só.
Se mesmo assim se sentir só,
Reze, com fé.
Permita que sua alma levite e encontre com Ele.
Faça suas preces e ore a sua maneira.
Deus lhe libertará da solidão.
Se se sentir assim, chore,
Chore profundamente,
Deixe as lagrimas fluírem , os medos e aflições saírem.
Reflita e se encontre.
Seja feliz com você mesmo, pois,
Solidão é não ter a si mesmo como amigo.
Se isso fizer, não estará mais a sós,
Pois solidão não é estar completamente só,
É estar só incompletamente.
Se algum dia sentir que não tem ninguém
Que não há nada no mundo que possa lhe ajudar,
Apenas chore e reze,
Se encontre
O poeta deve ser como a
nódoa no brim:
Fazer o leitor satisfeito
de si dar o desespero.
Sei que a poesia é também
orvalho.
Mas este fica para as
menininhas, as estrelas alfas,
as virgens cem por cento e as
amadas que envelheceram
sem maldade.
Vou lançar a
teoria do poeta sórdido
Poeta sórdido:
Vai um sujeito,
Sai um sujeito
de casa com a roupa
de brim muito bem
engomada, e na
primeira esquina passa
um caminhão, salpica-lhe
o paletó de uma nódoa de
lama:
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração
Autor: Fernando pessoa
Ah! Se eu te pudesse fazer entender
Sem teu amor, eu não posso viver
Que sem nós dois, o que resta sou eu
Eu assim tão só
E eu preciso aprender a ser só
Poder dormir sem sentir teu calor
E ver que foi só um sonho e passou
Amor, então,
também, acaba?
Não, que eu sabia.
O que eu sei
é que se transforma
numa matéria-prima
que a vida se encarrega
de transformar em raiva.
Ou em rima.
Transforma-se o amador na cousa amada,
Por virtude do muito imaginar;
Não tenho logo mais que desejar,
Pois em mim tenho a parte desejada.