O desespero vem
Como num piscar de olhos,
Não há nada,
Somente a escuridão,
Levemente apagada pela fraca luz da lua,
Que tende a desaparecer cada vez mais.
O breu amordecedor
Toma conta da minha alma.
Possuída estou,
Pelas sombras,
Mais fortes que eu
E em meu corpo penetram
Tornando-me vulnerável.
Não vejo mais nada
Tudo desapareceu,
A lua se foi
E já não sinto mais as picadas incessantes em meu frágil corpo
Já não sinto nada,
Pois não tenho o sentir
Nem o porque.
Grito, mas não ouço o desespero
Choro, mas não enxergo lágrimas escorrendo
Me debato, mas não sinto a dor dos punhos
Não vejo o sangue explodindo de minhas sofridas veias.
Conseguiram!
Estou vazia e vulnerável.
Tudo se foi.
Penso numa saída,
Porém não há portas
Somente enormes paredes
Que me envolvem
Como um meio de proteção,
Mas na verdade,
Me seguram,
Sugando minha alma
Deixando aqui,
Somente este corpo vazio e insensível
Caio de joelhos,
A pedir por piedade,
Clemência, pois nada fiz.
Respondem duramente que não tenho escolha
Minha sentença foi determinada
E será friamente cumprida.
De repente o silêncio se torna mortal
A solidão leva de vez minha esperança,
Sou humana, frágil, pecadora
E neste momento fria,
Pois não tenho mais alma
Não há como suportar,
Estou derrubada.
Agora vejo o sangue minando
E sinto as picadas, seguidas de lágrimas
Aos poucos vou perdendo os sentidos
E assim, em meio ao desespero e a fragilidade
A morte me envolve calada
Com sua tristeza
E me leva em seus braços
Escapando,
Acobertada pela escuridão
Para uma eternidade desconhecida
E amedrontadora.
E, em meio a dor e a solidão
Estendida miseravelmente no chão
Derrotada,
Me pergunto inocentemente,
O que a morte fará ao se livrar de mim?
Inconscientemente me pergunto:
Quem será o próximo?
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